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Estamos agora na estação de Florença, mas para chegarmos aqui foi um sufoco total. Jamais imaginei isso acontecendo em um país como a Alemanha. Houve uma tempestade na Áustria que bloqueou todas as linhas elétricas. Na hora do nosso trem partir de Munique, ficamos sabendo que todos os trens haviam sido suspensos. Uma fila gigantesca formou-se no balcão de informações da Deutsche Bahn e demorou mais de duas horas para sermos atendidos. Esse foi o fechamento de dois dias perfeitos.

Quando partimos de Berlim, fomos a Dreden e depois Leipzig. Duas cidades da antiga Alemanha comunista que ainda guardam alguns traços da estética Stalinista. Ou seja: horríveis. Mas o centro histórico de ambas é bem bonito. Em Dresden, a construção mais impressionante era um Castelo, com um lindo jardim e aqueles telhadinhos verdes tão característicos.

Em Leipzig, o imponente conjunto da Opera antiga e moderna, separadas por duas praças. Cada uma mais linda que a outra. Eu gostei mais que o Nelson. Ele achou que tudo era meio decepcionante. Eu gostei muito de Leipzig, um clima mais pacato, e a universidade dominando todo o conjunto da cidade.

Fomos então para Munique. Um trem noturno partiu de Leipzig e não tínhamos reservas para leito, mas para um vagão com cadeiras reclináveis. Parecia um carrinho de jogo de realidade virtual. Bem confortável, mas deixar meu pé para baixo a viagem toda teve consequências. Chegamos a Munique de manhã e meu pé tinha dado uma arroxeada. Mas foi só ficar meia horinha com ele para cima no Hostel AO que tudo melhorou.  O Hostel é da mesma rede que ficamos em Berlim. Muito legal. Por 35 €, pudemos ficar em quarto exclusivo com banheiro e televisão.  E o melhor de tudo é que fica sempre bem localizado.

Chegaram conosco duas garotas brasileiras. Não pedi o nome, claro, mas logo puxamos assunto. Eu tinha ouvido a mais cabeluda dizer à outra:

– Humpf: brasileiros!

Elas moram em Milão, e tinham vindo procurar uma agência para se empregarem como “modelo e manequim”. Como diria minha amiga Ana Toledo:

– Ah, vá! Kkk

Partimos à nossa jornada exploradora urbana. Munique é uma cidade bastante popular, com gente de todos os jeitos. Uma babel. Havia alguns turistas brasileiros, mas eram poucos. Almoçarmos num café perto do hotel. Uma comidinha deliciosa, com refrigerante, que ficou por 21€.  Depois voltamos a explorar a cidade.

Às 20h, mais ou menos, voltamos para o hostel e fomos publicar algumas fotos no facebook e demos de cara com nossas conterrâneas. Elas reclamaram bastante do mapa que compraram por 3€ e eu dei a elas o meu, que eu tinha ganho graciosamente na estação, bem no momento da chegada. Foi então que uma delas soltou:

– As agências daqui são muito difíceis. O jeito é voltar pra Milão e voltar a fazer a rua.

Ou seja: modelo e manequim agora é eufemismo.

Dia seguinte partimos em novas explorações urbanas, conhecemos várias coisas legais, inclusive o Arena Aliança, que é o estádio do Bayern, e a vila olímpica. Como eu queria ser otimista e acreditar que a nossa vila olímpica no Rio de Janeiro pudesse ser pelo menos a metade daquela. Um espetáculo! Um parque com muito verde, muitos lagos, gente à beça, lugar para shows, inclusive tinha um de um violinista naquele dia.

 

 

Vomos então ao Hostel, que nos deixou tomar um banho extra e partimos imediatamente para a estação. Foi então que nos deparamos com o pandemônio. Muito estranho ver um país tão organizado quanto a Alemanha viver uma situação dessas.

Ninguém sabia informar nada, ninguém tomava uma atitude positiva. Só uma fila gigantesca no balcão de atendimento ao cliente. Toda hora passavam uma rodada de água, café e chá para acalmar os milhares de passageiros sem atendimento. Imagina: todo mundo que partiria de Munique ficou preso na estação. Não dá para um brasileiro fazer uma parca idéia do que é isso.

Duas horas e meia depois de entrarmos na fila, era nossa vez. O trem para Roma, que deveríamos ter tomado às 21h, estava pronto para servir de albergue a quem precisasse partir. Era impossível acomodar todos em hotéis. As meninas – que coincidentemente tomariam o mesmo trem – ainda conseguiram um, mas nós preferimos aguardar. Havia uma previsão bastante pessimista de partida às 3 ou 4 da manhã. Para nós, o importante era chegarmos no dia seguinte a Florença.

Havia também o detalhe de termos reservado lugares no trem de Florença para Zurique. O nosso atendimento foi basicamente para ver o que seria feito.  Comecei com uma senhora até simpática, mas que não era capaz de discutir em inglês. Passou-me para a vizinha dela, que ficava dizendo só que não podia fazer nada, que aquele balcão era só para informação, que não havia hotéis, que o trem provavelmente sairia, mas que não havia garantia, que não podia restituir os 80€ da reserva para Zurique, enfim, uma inaptidão total para lidar com a crise.

Mas ao fim e ao cabo, ela disse que, se não conseguíssemos pegar o trem para Zurique por conta do atraso, ou não conseguíssemos remarcar para o dia seguinte, bastava encaminhar os bilhetes juntamente com um formulário que ela forneceu, que a Deutsche Ban restituiria o dinheiro dentro de um mês, por meio de depósito bancário.

Engraçado foi a cara dela quando eu disse que, se eu encaminhasse os bilhetes e requisitasse o reembolso, que garantia eu tinha de que a DB iria me pagar? Ela fez um olhar de “não estou entendendo”. Porque para eles, esse tipo de atitude é simplesmente impensável.

Ao fim de tudo, o trem partiu à 1h30 da manhã, portanto bem antes da previsão pessimista. Foi então possível chegar a Florença às 10 da manhã e é de onde termino este post, para iniciar o próximo.

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Estamos agora na estação de Florença, mas para chegarmos aqui foi um sufoco total. Jamais imaginei isso acontecendo em um país como a Alemanha. Houve uma tempestade na Áustria que bloqueou todas as linhas elétricas. Na hora do nosso trem partir de Munique, ficamos sabendo que todos os trens haviam sido suspensos. Uma fila gigantesca formou-se no balcão de informações da Deutsche Bahn e demorou mais de duas horas para sermos atendidos. Esse foi o fechamento de dois dias perfeitos.

Quando partimos de Berlim, fomos a Dreden e depois Leipzig. Duas cidades da antiga Alemanha comunista que ainda guardam alguns traços da estética Stalinista. Ou seja: horríveis. Mas o centro histórico de ambas é bem bonito. Em Dresden, a construção mais impressionante era um Castelo, com um lindo jardim e aqueles telhadinhos verdes tão característicos.

Em Leipzig, o imponente conjunto da Opera antiga e moderna, separadas por duas praças. Cada uma mais linda que a outra. Eu gostei mais que o Nelson. Ele achou que tudo era meio decepcionante. Eu gostei muito de Leipzig, um clima mais pacato, e a universidade dominando todo o conjunto da cidade.

Fomos então para Munique. Um trem noturno partiu de Leipzig e não tínhamos reservas para leito, mas para um vagão com cadeiras reclináveis. Parecia um carrinho de jogo de realidade virtual. Bem confortável, mas deixar meu pé para baixo a viagem toda teve consequências. Chegamos a Munique de manhã e meu pé tinha dado uma arroxeada. Mas foi só ficar meia horinha com ele para cima no Hostel AO que tudo melhorou.  O Hostel é da mesma rede que ficamos em Berlim. Muito legal. Por 35 €, pudemos ficar em quarto exclusivo com banheiro e televisão.  E o melhor de tudo é que fica sempre bem localizado.

Chegaram conosco duas garotas brasileiras. Não pedi o nome, claro, mas logo puxamos assunto. Eu tinha ouvido a mais cabeluda dizer à outra:

– Humpf: brasileiros!

Elas moram em Milão, e tinham vindo procurar uma agência para se empregarem como “modelo e manequim”. Como diria minha amiga Ana Toledo:

– Ah, vá! Kkk

Partimos à nossa jornada exploradora urbana. Munique é uma cidade bastante popular, com gente de todos os jeitos. Uma babel. Havia alguns turistas brasileiros, mas eram poucos. Almoçarmos num café perto do hotel. Uma comidinha deliciosa, com refrigerante, que ficou por 21€.  Depois voltamos a explorar a cidade.

Às 20h, mais ou menos, voltamos para o hostel e fomos publicar algumas fotos no facebook e demos de cara com nossas conterrâneas. Elas reclamaram bastante do mapa que compraram por 3€ e eu dei a elas o meu, que eu tinha ganho graciosamente na estação, bem no momento da chegada. Foi então que uma delas soltou:

– As agências daqui são muito difíceis. O jeito é voltar pra Milão e voltar a fazer a rua.

Ou seja: modelo e manequim agora é eufemismo.

Dia seguinte partimos em novas explorações urbanas, conhecemos várias coisas legais, inclusive o Arena Aliança, que é o estádio do Bayern, e a vila olímpica. Como eu queria ser otimista e acreditar que a nossa vila olímpica no Rio de Janeiro pudesse ser pelo menos a metade daquela. Um espetáculo! Um parque com muito verde, muitos lagos, gente à beça, lugar para shows, inclusive tinha um de um violinista naquele dia.

 

 

Vomos então ao Hostel, que nos deixou tomar um banho extra e partimos imediatamente para a estação. Foi então que nos deparamos com o pandemônio. Muito estranho ver um país tão organizado quanto a Alemanha viver uma situação dessas.

Ninguém sabia informar nada, ninguém tomava uma atitude positiva. Só uma fila gigantesca no balcão de atendimento ao cliente. Toda hora passavam uma rodada de água, café e chá para acalmar os milhares de passageiros sem atendimento. Imagina: todo mundo que partiria de Munique ficou preso na estação. Não dá para um brasileiro fazer uma parca idéia do que é isso.

Duas horas e meia depois de entrarmos na fila, era nossa vez. O trem para Roma, que deveríamos ter tomado às 21h, estava pronto para servir de albergue a quem precisasse partir. Era impossível acomodar todos em hotéis. As meninas – que coincidentemente tomariam o mesmo trem – ainda conseguiram um, mas nós preferimos aguardar. Havia uma previsão bastante pessimista de partida às 3 ou 4 da manhã. Para nós, o importante era chegarmos no dia seguinte a Florença.

Havia também o detalhe de termos reservado lugares no trem de Florença para Zurique. O nosso atendimento foi basicamente para ver o que seria feito.  Comecei com uma senhora até simpática, mas que não era capaz de discutir em inglês. Passou-me para a vizinha dela, que ficava dizendo só que não podia fazer nada, que aquele balcão era só para informação, que não havia hotéis, que o trem provavelmente sairia, mas que não havia garantia, que não podia restituir os 80€ da reserva para Zurique, enfim, uma inaptidão total para lidar com a crise.

Mas ao fim e ao cabo, ela disse que, se não conseguíssemos pegar o trem para Zurique por conta do atraso, ou não conseguíssemos remarcar para o dia seguinte, bastava encaminhar os bilhetes juntamente com um formulário que ela forneceu, que a Deutsche Ban restituiria o dinheiro dentro de um mês, por meio de depósito bancário.

Engraçado foi a cara dela quando eu disse que, se eu encaminhasse os bilhetes e requisitasse o reembolso, que garantia eu tinha de que a DB iria me pagar? Ela fez um olhar de “não estou entendendo”. Porque para eles, esse tipo de atitude é simplesmente impensável.

Ao fim de tudo, o trem partiu à 1h30 da manhã, portanto bem antes da previsão pessimista. Foi então possível chegar a Florença às 10 da manhã e é de onde termino este post, para iniciar o próximo.

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