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Então vejamos: os últimos dias (melhor dizer anos) do Brasil têm sido mais emocionantes que uma viagem de montanha russa. Entramos no século 21 com cinco crianças morrendo de fome a cada minuto no Brasil. O século que se imaginava plenamente na era de aquarius, com todo mundo de boas, muito psicotrópico e sexo à vontade, liberdade de expor o corpo sem conotações sexuais, um capitalismo plenamente desenvolvido e gerando riquezas e bem estar para toda a comunidade das nações, enfim, alcançaríamos a plena Utopia da Felicidade.

Não foi bem assim. A queda do muro de Berlin, consequência direta da extinção do regime stalinista na antiga União Soviética, se apresentava como o fim da utopia comunista. Houve até um autor que publicou à época uma análise intitulada “O Fim da História”. Tolo. A história não tem fim. Continua sua marcha errática até a humanidade (eis que, por enquanto, somente essa categoria de animais a registra) findar.

Muita gente achava que o fim do socialismo como vinha sendo apresentado ao mundo significaria o início das liberdades individuais. Da perspectiva global, nada disso. Temos sociedades e regimes profundamente fechados e autocráticos, algumas sociedades democráticas e muita exploração do homem pelo homem.

Não é diferente no Brasil. Em 1989 tínhamos um aninho de nova Constituição Federal, uma carta escrita para o futuro cheia de cicatrizes dos vinte e poucos anos anteriores a ela. Os militares oprimiram, torturaram e mataram opositores, cinicamente roubaram e espoliaram a nação, impediram a manifestação de ideias e, principalmente, implantaram uma reforma educacional ampla que deteriorou de vez o já combalido e patriarcal sistema escolar brasileiro.

Tivemos naquele ano a eleição mais emocionante de todos os tempos: a primeira direta em 25 anos. Foi maravilhoso. Eram candidatos caricatos e folclóricos: Eneias, Aureliano Chaves, Ronaldo Caiado estavam entre os mais caricatos e Brizola, Mário Covas, Lula e Collor entre os mais importantes. mas tínhamos também Ulisses Guimarães, Paulo Maluff, Fernando Gabeira e, mais surpreendente, uma mulher, da qual ninguém mais se lembra (nem eu, até a rápida pesquisa na wikkipedia para escrever este artigo), Lívia Maria Pio, que concorreu pelo extinto Partido Nacionalista – PN.

Ficaram para o segundo turno Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello. Lula vindo do chão da fábrica, do movimento sindical, feroz, sangue no olho contra o patronato, discurso forte e apoio dos jovens, do movimento estudantil, então de novo tentando buscar espaço na política, uma vez que recém liberto das amarras da ditadura cívil/militar era o meu candidato. Votei nele, fiz campanha, usei broche, boné, bandeira e camiseta e sabia de cor o hino Lula-lá, brilha uma estrela. Mas a máquina da família Marinho tem um poder de penetração gigantesco. Naquela época, então, sem TV a cabo, sem internet, sem informação ponto a ponto, o Jornal Nacional era o meio de informação mais importante do Brasil e foi por causa disse que o Collor venceu o segundo turno. Com uma margem apertada, 53 a 47 por cento dos votos válidos, sendo que Lula foi vitorioso no DF, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul (fonte TRE)

Emoções à flor da pele. Medo da elite – engraçado usar esse termo, como se 53 por cento da população fosse elite – de perder poder, vontade de alguns de mudar de fato a exploração dos pobres. Pois bem, Collor tomou posse em 1990, no dia 15 de março e no dia 16 de março rapelou a poupança e a conta corrente de todo mundo. Dizia que tinha uma bala para vencer a hiperinflação, um mal que assolava o Brasil desde os tempos do fim da ditadura militar. Errou o tiro e o tigre voltou ainda mais feroz. Foi impedido porque perdeu o apoio no Congresso (afinal, vinha de um partido anão, uma legendazinha forjada para abrigar um projeto de poder) e o resultado foi o impeachment, insuflado, principalmente, por uma briga de família.

Entrou o Itamar Franco, o vice. Era um sujeito de Juiz de Fora, um político mineiro à moda antiga, do PMDB (sempre ele), e foi o presidente sob quem o Brasil finalmente venceu o tal tigre. O Plano Real, encabeçado por André Lara Rezende e sua equipe de economistas capazes, debelou o monstro. Quem surfou nessa onda foi Fernando Henrique Cardoso que, por ser ministro da fazenda na época, colheu os louros e se elegeu presidente em primeiro turno. Desta vez, uma vitória acachapante. Levar quase 55% dos votos em primeiro turno é uma façanha! Eu me lembro que tinha querido votar no FHC e no PSDB à época. O que me impediu foi a associação do PFL. Quando anunciou como vice na chapa o Marco Maciel, um pernambucano coronelista e tão patrimonialista como todos os políticos da pior cepa, perdeu meu voto.

Eleito e reeleito, FHC levou o País a uma guinada ao neoliberalismo. Vendeu estatais, ao que parece de forma fraudulenta e trazendo graves prejuízos ao erário, mas houve um sopro grande de modernização. Foi presidente até o final de 2002. Ou seja: ele era o presidente do Brasil na virada do milênio. Mas por mais que a estabilidade econômica trouxesse um bálsamo para nós, a verdade é que as camadas menos favorecidas da população continuaram à míngua. Não havia políticas públicas voltadas para o social e o que interessava mesmo era o lucro das empresas. O próprio Fernando declarou que era para esquecermos o que havia escrito enquanto sociólogo e intelectual. Dava pena. Acho que refém do mercado, ou mesmo por jamais ter sido convicto nos estudos realizados antes, a figura era a de uma rainha em país parlamentarista. A discrepância social só aumentava, a pobreza se agravava e nada era feito para amenizar a situação.

Então vieram as eleições e o PT, concorrendo contra o PSDB, cujo candidato era a patética figura de José Serra, um sujeito profundamente antipático e avesso à população, sem carisma nem capital político, ainda enfrentando uma forte crise econômica gerada pela crise cambial de 1998, sagrou-se vitorioso com 61% dos votos. Foi lindo! Dia 1º de Janeiro de 2003 eu fui para a Praça dos Três Poderes assistir à posse do primeiro presidente eleito, oriundo das camadas mais pobres da população. Parecia um sonho. Não! Era um sonho realizado. Logo vieram algumas decepções, mas nada tão grave quanto os governos anteriores. E aí, vivemos oito anos de bonança. O governo Lula foi tão bom, embora os detratores insistam em dizer que foi o pior, que ele emplacou a Dilma como sucessora. Lula saiu do governo com uma aprovação superior a 80%. Depois do segundo mandato! Acham que é fácil. E isso tendo enfrentado sérias acusações de corrupção, o processo do mensalão e ataques da rede Globo durante todo o mandato.

Veio Dilma e prefiro não falar muito. Ela teve um desempenho medíocre no primeiro mandato, mas conseguiu ser reeleita de toda forma. Foi uma continuação menos afortunada do governo do Lula, mas ela não tinha o mesmo jogo de cintura e nem é animal político como o antecessor. Agia com antipatia, fazia discursos confusos e não soube enfrentar a sanha corrupta de um Congresso Nacional profundamente conservador e patrimonialista. Também, em nome de uma governabilidade, o PT havia se aliado ao PMDB e assinado a sentença de morte da presidente. O PMDB é o pior partido deste País. Fisiológico, lotado de corruptos notórios, e gente safada, mas é uma espécie de geleia gigante, permeando todas as esferas de governo e presente em todos os estados da nação. Uma metástase que acabou por afogar o mandato dela em um processo de impedimento repleto de irregularidades.

É aí que começam as nossas fortes emoções. Uma direita histérica, pouco afeita ao debate, brigona e gritona, começou a aparecer. MBL, vem pra rua e outros movimentos semelhantes, todos insuflados por gente da laia de Diogo Mainardi, Alexandre Garcia, Miriam Leitão e outros jornalistas desinformadores e parciais, contrários ao povo e defensores dos banqueiros e dos rentistas. A massa caiu como um pato e agora chegamos ao ponto em que estamos.

Uma merda atrás da outra proferida pelo sujeito que ocupa a cadeira do Planalto, uma família envolvida até o pescoço com milícias e crimes comuns, corrupção, crimes contra o patrimônio público. E levados ao posto maior por uma histeria contra partidos ditos de esquerda. Há gente que ainda acredita numa ameaça comunista rondando a nação. Um descendente de Pedro II se arrogando príncipe do Brasil, uma república há mais de 120 anos, nos fazendo pensar que Robespierre talvez fosse necessário… Enfim.

Por último, temos o linchamento virtual de próceres do partideco que elegeu o presidente. O tal PSL, por ser apenas um aglomerado de gente mal intencionada, está prestes a implodir. Ou se submete à autocracia do sujeito eleito, ou o destino é o esfacelamento.

E para coroar, ontem, o Supremo Tribunal Federal finalmente resolveu aprender a ler.

O mais incrível é o ódio que as pessoas devotam a Lula. É como se ele encarnasse o mal e a corrupção. Se esquecem de Sarney, Collor, FHC, como se fossem ilibados cidadãos acima de qualquer suspeita. Hipócritas. Eu sou daqueles que não acredita que o Lula é totalmente inocente. Claro que não. É impossível chegar aonde ele chegou sem se comprometer. Chegou inclusive – asco profundo – a apertar a mão de Paulo Maluf, uma das figuras mais execráveis de todos os tempos, em nome de uma política real. Mas duas coisas são certas: não há provas de que a OAS pagou propina em forma de apartamento para o presidente, aliás, há provas de que tal transação jamais existiu, e o Lula não poderia estar preso, assim como ninguém deveria, antes de transitada em julgado a sentença penal condenatória. O artigo constitucional é claro e inamovível. A interpretação da prisão após confirmada a sentença de primeiro grau por um tribunal é esdrúxula. Sempre foi. Mas serviu para condenar e encarcerar o Lula e afastá-lo da disputa presidencial. O mercado internacional estava em polvorosa com a possibilidade de vitória de uma chapa mais voltada ao social, mas que impediria a aquisição do pré-sal a preço de banana.

Bem, parece que nem isso interessa mais. O leilão, pelo que se noticiou foi um fracasso.

Enfim.

Este é nosso país.

De tédio, não morreremos.

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Então vejamos: os últimos dias (melhor dizer anos) do Brasil têm sido mais emocionantes que uma viagem de montanha russa. Entramos no século 21 com cinco crianças morrendo de fome a cada minuto no Brasil. O século que se imaginava plenamente na era de aquarius, com todo mundo de boas, muito psicotrópico e sexo à vontade, liberdade de expor o corpo sem conotações sexuais, um capitalismo plenamente desenvolvido e gerando riquezas e bem estar para toda a comunidade das nações, enfim, alcançaríamos a plena Utopia da Felicidade.

Não foi bem assim. A queda do muro de Berlin, consequência direta da extinção do regime stalinista na antiga União Soviética, se apresentava como o fim da utopia comunista. Houve até um autor que publicou à época uma análise intitulada “O Fim da História”. Tolo. A história não tem fim. Continua sua marcha errática até a humanidade (eis que, por enquanto, somente essa categoria de animais a registra) findar.

Muita gente achava que o fim do socialismo como vinha sendo apresentado ao mundo significaria o início das liberdades individuais. Da perspectiva global, nada disso. Temos sociedades e regimes profundamente fechados e autocráticos, algumas sociedades democráticas e muita exploração do homem pelo homem.

Não é diferente no Brasil. Em 1989 tínhamos um aninho de nova Constituição Federal, uma carta escrita para o futuro cheia de cicatrizes dos vinte e poucos anos anteriores a ela. Os militares oprimiram, torturaram e mataram opositores, cinicamente roubaram e espoliaram a nação, impediram a manifestação de ideias e, principalmente, implantaram uma reforma educacional ampla que deteriorou de vez o já combalido e patriarcal sistema escolar brasileiro.

Tivemos naquele ano a eleição mais emocionante de todos os tempos: a primeira direta em 25 anos. Foi maravilhoso. Eram candidatos caricatos e folclóricos: Eneias, Aureliano Chaves, Ronaldo Caiado estavam entre os mais caricatos e Brizola, Mário Covas, Lula e Collor entre os mais importantes. mas tínhamos também Ulisses Guimarães, Paulo Maluff, Fernando Gabeira e, mais surpreendente, uma mulher, da qual ninguém mais se lembra (nem eu, até a rápida pesquisa na wikkipedia para escrever este artigo), Lívia Maria Pio, que concorreu pelo extinto Partido Nacionalista – PN.

Ficaram para o segundo turno Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello. Lula vindo do chão da fábrica, do movimento sindical, feroz, sangue no olho contra o patronato, discurso forte e apoio dos jovens, do movimento estudantil, então de novo tentando buscar espaço na política, uma vez que recém liberto das amarras da ditadura cívil/militar era o meu candidato. Votei nele, fiz campanha, usei broche, boné, bandeira e camiseta e sabia de cor o hino Lula-lá, brilha uma estrela. Mas a máquina da família Marinho tem um poder de penetração gigantesco. Naquela época, então, sem TV a cabo, sem internet, sem informação ponto a ponto, o Jornal Nacional era o meio de informação mais importante do Brasil e foi por causa disse que o Collor venceu o segundo turno. Com uma margem apertada, 53 a 47 por cento dos votos válidos, sendo que Lula foi vitorioso no DF, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul (fonte TRE)

Emoções à flor da pele. Medo da elite – engraçado usar esse termo, como se 53 por cento da população fosse elite – de perder poder, vontade de alguns de mudar de fato a exploração dos pobres. Pois bem, Collor tomou posse em 1990, no dia 15 de março e no dia 16 de março rapelou a poupança e a conta corrente de todo mundo. Dizia que tinha uma bala para vencer a hiperinflação, um mal que assolava o Brasil desde os tempos do fim da ditadura militar. Errou o tiro e o tigre voltou ainda mais feroz. Foi impedido porque perdeu o apoio no Congresso (afinal, vinha de um partido anão, uma legendazinha forjada para abrigar um projeto de poder) e o resultado foi o impeachment, insuflado, principalmente, por uma briga de família.

Entrou o Itamar Franco, o vice. Era um sujeito de Juiz de Fora, um político mineiro à moda antiga, do PMDB (sempre ele), e foi o presidente sob quem o Brasil finalmente venceu o tal tigre. O Plano Real, encabeçado por André Lara Rezende e sua equipe de economistas capazes, debelou o monstro. Quem surfou nessa onda foi Fernando Henrique Cardoso que, por ser ministro da fazenda na época, colheu os louros e se elegeu presidente em primeiro turno. Desta vez, uma vitória acachapante. Levar quase 55% dos votos em primeiro turno é uma façanha! Eu me lembro que tinha querido votar no FHC e no PSDB à época. O que me impediu foi a associação do PFL. Quando anunciou como vice na chapa o Marco Maciel, um pernambucano coronelista e tão patrimonialista como todos os políticos da pior cepa, perdeu meu voto.

Eleito e reeleito, FHC levou o País a uma guinada ao neoliberalismo. Vendeu estatais, ao que parece de forma fraudulenta e trazendo graves prejuízos ao erário, mas houve um sopro grande de modernização. Foi presidente até o final de 2002. Ou seja: ele era o presidente do Brasil na virada do milênio. Mas por mais que a estabilidade econômica trouxesse um bálsamo para nós, a verdade é que as camadas menos favorecidas da população continuaram à míngua. Não havia políticas públicas voltadas para o social e o que interessava mesmo era o lucro das empresas. O próprio Fernando declarou que era para esquecermos o que havia escrito enquanto sociólogo e intelectual. Dava pena. Acho que refém do mercado, ou mesmo por jamais ter sido convicto nos estudos realizados antes, a figura era a de uma rainha em país parlamentarista. A discrepância social só aumentava, a pobreza se agravava e nada era feito para amenizar a situação.

Então vieram as eleições e o PT, concorrendo contra o PSDB, cujo candidato era a patética figura de José Serra, um sujeito profundamente antipático e avesso à população, sem carisma nem capital político, ainda enfrentando uma forte crise econômica gerada pela crise cambial de 1998, sagrou-se vitorioso com 61% dos votos. Foi lindo! Dia 1º de Janeiro de 2003 eu fui para a Praça dos Três Poderes assistir à posse do primeiro presidente eleito, oriundo das camadas mais pobres da população. Parecia um sonho. Não! Era um sonho realizado. Logo vieram algumas decepções, mas nada tão grave quanto os governos anteriores. E aí, vivemos oito anos de bonança. O governo Lula foi tão bom, embora os detratores insistam em dizer que foi o pior, que ele emplacou a Dilma como sucessora. Lula saiu do governo com uma aprovação superior a 80%. Depois do segundo mandato! Acham que é fácil. E isso tendo enfrentado sérias acusações de corrupção, o processo do mensalão e ataques da rede Globo durante todo o mandato.

Veio Dilma e prefiro não falar muito. Ela teve um desempenho medíocre no primeiro mandato, mas conseguiu ser reeleita de toda forma. Foi uma continuação menos afortunada do governo do Lula, mas ela não tinha o mesmo jogo de cintura e nem é animal político como o antecessor. Agia com antipatia, fazia discursos confusos e não soube enfrentar a sanha corrupta de um Congresso Nacional profundamente conservador e patrimonialista. Também, em nome de uma governabilidade, o PT havia se aliado ao PMDB e assinado a sentença de morte da presidente. O PMDB é o pior partido deste País. Fisiológico, lotado de corruptos notórios, e gente safada, mas é uma espécie de geleia gigante, permeando todas as esferas de governo e presente em todos os estados da nação. Uma metástase que acabou por afogar o mandato dela em um processo de impedimento repleto de irregularidades.

É aí que começam as nossas fortes emoções. Uma direita histérica, pouco afeita ao debate, brigona e gritona, começou a aparecer. MBL, vem pra rua e outros movimentos semelhantes, todos insuflados por gente da laia de Diogo Mainardi, Alexandre Garcia, Miriam Leitão e outros jornalistas desinformadores e parciais, contrários ao povo e defensores dos banqueiros e dos rentistas. A massa caiu como um pato e agora chegamos ao ponto em que estamos.

Uma merda atrás da outra proferida pelo sujeito que ocupa a cadeira do Planalto, uma família envolvida até o pescoço com milícias e crimes comuns, corrupção, crimes contra o patrimônio público. E levados ao posto maior por uma histeria contra partidos ditos de esquerda. Há gente que ainda acredita numa ameaça comunista rondando a nação. Um descendente de Pedro II se arrogando príncipe do Brasil, uma república há mais de 120 anos, nos fazendo pensar que Robespierre talvez fosse necessário… Enfim.

Por último, temos o linchamento virtual de próceres do partideco que elegeu o presidente. O tal PSL, por ser apenas um aglomerado de gente mal intencionada, está prestes a implodir. Ou se submete à autocracia do sujeito eleito, ou o destino é o esfacelamento.

E para coroar, ontem, o Supremo Tribunal Federal finalmente resolveu aprender a ler.

O mais incrível é o ódio que as pessoas devotam a Lula. É como se ele encarnasse o mal e a corrupção. Se esquecem de Sarney, Collor, FHC, como se fossem ilibados cidadãos acima de qualquer suspeita. Hipócritas. Eu sou daqueles que não acredita que o Lula é totalmente inocente. Claro que não. É impossível chegar aonde ele chegou sem se comprometer. Chegou inclusive – asco profundo – a apertar a mão de Paulo Maluf, uma das figuras mais execráveis de todos os tempos, em nome de uma política real. Mas duas coisas são certas: não há provas de que a OAS pagou propina em forma de apartamento para o presidente, aliás, há provas de que tal transação jamais existiu, e o Lula não poderia estar preso, assim como ninguém deveria, antes de transitada em julgado a sentença penal condenatória. O artigo constitucional é claro e inamovível. A interpretação da prisão após confirmada a sentença de primeiro grau por um tribunal é esdrúxula. Sempre foi. Mas serviu para condenar e encarcerar o Lula e afastá-lo da disputa presidencial. O mercado internacional estava em polvorosa com a possibilidade de vitória de uma chapa mais voltada ao social, mas que impediria a aquisição do pré-sal a preço de banana.

Bem, parece que nem isso interessa mais. O leilão, pelo que se noticiou foi um fracasso.

Enfim.

Este é nosso país.

De tédio, não morreremos.

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