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ARTE

Do começo ao fim, tudo é arte

“Toda a arte e toda a filosofia podem ser consideradas como remédios da vida…”

Friedrich Nietzsche

Das primeiras representações da realidade descobertas pelos arqueólogos em cavernas e pedras pelo mundo afora até as mais recentes performances contemporâneas, a arte sempre povoou as comunidades humanas. Sem ela, nada somos. Quanto mais penso sobre isso, mas enxergo arte em tudo.

Há campos da humanidade que são essenciais, isto é, fazem parte da essência do ser humano. Política, Direito, Linguística, Filosofia fazem parte desse conjunto, mas a arte merece um destaque muito especial. Enquanto os demais campos são ásperos, pedregosos e espinhosos, a Arte é um deleite, um oásis nessa desértica jornada humana.

É uma impossibilidade definir ou conceituar arte. A mim me parece que toda a produção humana é artística, porque tudo é em função de comunicar uma ideia. Havia outrora uma ideia de que para ser arte, havia de ser belo. Esse conceito foi sendo desconstruído e, no séc. XX, apareceu uma corrente que também considerava o grotesco, o absurdo como formas artísticas aceitáveis.

Entra em cena, ao lado do teto da Capela Sistina, de Michelângelo, o Bogey Ball, de James Ford. O sublime da arte da pitura em afresco, que atingiu a perfeição no renascimento, com o nojo de uma bola de catarro, coletada ao longo de 2 anos.

Buñuel, Pasolini e Peter Greenaway são exemplos de cineastas que nos revolveram as entranhas com cenas chocantes pela crueza e pela representação do que é decadente, podre, escatológico no comportamento humano. Da obra desses cineastas os seguintes títulos podem ser utilizados para comprovar a tese de que o feio e o nojento foram também elevados à expressão artística: “O Discreto Charme da Burguesia”, “Saló e os 120 Dias de Sodoma” e “O Cozinheiro, O Ladrão, Sua Mulher e o Amante”.

Na música, o contraste é entre Bach e Schoemberg. Enquanto o primeiro prima pela harmonia mais agradável ao ouvido, o segundo nos brinda com dissonâncias esquisitas à primeira vista, mas também sublimes.

Não podemos nos esquecer das manifestações coletivas de repúdio aos sistemas estabelecidos. Consigo ver arte nas barricadas de Paris, no silencioso protesto em frente aos canhões na praça da paz celestial, nos incêndios de automóveis nas ruas europeias, na caminhada promovida por Martin Luther King, nas Primaveras de Praga e Árabe, nos movimentos brasileiros pelas Diretas Já, no início da década de 1980.

Também são formas de arte os intrincados desenhos pintados nas peles dos povos originários do continente Americano, a escarificação de povos africanos, a elaboradíssima indumentária do extremo oriente e as gravuras nos templos hindi. Os mosaicos e arabescos das mesquitas e sinagogas. Tudo isso é arte.

Haveria muito mais a falar, mas tentar delimitar o que seja arte é tarefa impossível.

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