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CINEMA

O Rei do Inverno – Mais uma recontação da lenda de Artur

Terminei de reler O Rei do Inverno, de Bernard Cornwell, uma recontagem da história do lendário Artur, filho de Uther Pendragon, unificador da Bretanha.

Rei Artur o rei do inverno

Artur, o rei do inverno de Bernard Cornwell em tapeçaria.

Este livro é parte de uma trilogia, que se completa com Inimigo do Rei e Excalibur e narra a movimentada e excitante história de Artur Pendragon, de forma bastante original. Eu gosto dessa lenda, desde que vi “Excalibur”, de John Boorman, estrelado por Helen Mirren e Nigel Terry e Nicol Williamson. Antes havia visto o desenho animado “A espada era a lei”, do Disney, com a Madame Min fazendo a vilã, mas eu era muito criança para saber do que se tratava.

Nesta saga, Bernard se mantém um pouco mais fiel aos nomes da Bretanha antiga. Sem muitas comprovações históricas, tendo tudo sido baseado no poema de Malory “A Morte de Artur”, Cornwell nos transporta para o século VI da Era comum, tempo em que, supostamente, houve uma unificação daquela região insular contra invasores saxões. A passagem inicial conta o nascimento de Mordred, o Rei nascido no inverno.

Os invasores romanos já haviam deixado a ilha que hoje conhecemos como Inglaterra, mas deixaram uma devastação cultural, pois praticamente exterminaram a religião dos Druidas. A perda é irreparável, mas esperar o quê de cristãos. Está comprovado que historicamente eles vêm devastando culturas, populações, religiões, tudo em nome de um Deus que se diz de amor. E além de lutar contra os Saxões invasores, Artur tinha ainda a tarefa de reunir as várias tribos e tentar manter viva a antiga religião.

As lendas do rei do inverno são condensadas num livro.

Cadorno Teles, no site Ambrosia (https://ambrosia.com.br/literatura/morte-de-artur-thomas-malory/) relata:

“O livro é considerado o primeiro romance da literatura inglesa, mais provavelmente podemos constatar como o primeiro romance de fantasia. Uma história que se desenvolve entre o conto universal de amor e a traição, a luta por ideais inatingíveis – como a honra e a nobreza – em meio ao tumulto da fragilidade humana, num cenário de uma época turbulenta, no limiar de uma Bretanha em profunda transformação. A essência da obra de Thomas Malory é atemporal, pois se mantém firme na imaginação de gerações, influenciando um número grande e diversificado de autores, artistas e cineastas. Uma ficção épica que merece, uma ou várias releituras.”

Um reino, uma lenda, múltiplas versões.

De fato, as lendas arturianas povoam a nossa imaginação. A busca por um cálice que supostamente teria sido utilizado pelo próprio Jesus no momento final dos evangelhos é narrada de várias formas. Esse cálice teria sido usado pelo messias, que, segundo os escritos, teria oferecido vinho aos discípulos como símbolo de seu sacrifício pela nossa salvação, desse modo convertendo o vinho no seu sangue e o pão em sua carne. Supostamente, José de Arimatéia, tio de Jesus, teria trazido o objeto da Judéia para o Sul da França e, de lá, se exilado na Bretanha.

A busca pelo Graal (aquele cálice) anima os contos sobre os cavaleiros da távola redonda. Por ser um dos contos de cavalaria que mais reúne heróis, as histórias se multiplicam e vêm influenciar até os maçons. Na década de 1980, o livro de Marion Zimmer Bradley encantou nossas terras. Uma tetralogia reunida sob o título “As Brumas de Avalon” incendiou o cenário literário da época, tendo ficado entre os mais vendidos durante vários meses.

Isso porque reconta a mesma lenda pelo olhar de Morgana, irmã de Artur, sacerdotisa da religião druídica. Em função dessa perspectiva, o romance adquire uma qualidade feminista até então não explorada para a lenda. Assim que a religião druídica, na verdade, seria matriarcal e o patriarcado só teria entrado em terras britânicas depois das invasões romanas.

Outro detalhe importante e que perpassa ambas as sagas, tanto a de Bernard Cornwell quanto a de Zimmer Bradley, é a oposição à religião cristã. Os relatos são fictícios, mas servem bem para ilustrar o quanto o cristianismo e a visão eurocentrada de desenvolvimento fez mal às demais culturas. Não foi diferente aqui no Brasil, onde os cristãos vieram em 1500 e a partir daí foi a dizimação dos povos originários e a exploração sanguinária da mão de obra escravizada. Em função disso, os recursos naturais foram rapinados pelos brancos e agora, posam de evoluídos e não querem estrangeiros em terras europeias. Lógico: a visão de mundo deles sempre a de chegar, explorar, matar, dizimar, rapinar e têm medo de que todos sejam iguais.

Da literatura para o cinema

O Filme Excalibur, que vi há muitos anos, salvo engano, não retrata o embate entre as duas religiões, no entanto, traz um duelo de dois grandes atores nos papeis de rivais pelo poder religioso sobre o rei Artur. Morgana, brilhantemente interpretada pela magnífica Hellen Mirren (sou muito fã) e Merlin, papel interpretado por Nicol Williamson, estão em constante briga pela sabedoria ancestral. Merlin, mais velho e mais sábio, acaba por cair na lábia da meio irmã de Artur, Morgana e tem um final surpreendente.

Eu sou muito fã das lendas arturianas e suas derivações: a busca pelo graal, a lenda de Isolda e Tristão, a perdida Avalon, afundada para sempre nas brumas por não ter mais adoradores.

O filme Excalibur está disponível para localização no Amazon Prime Vídeo.

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