TEATRO

Se Eu Fosse Eu – Clarices

Clarice Lispector foi uma mulher brilhante, uma escritora prolífica, uma brasileira cuja literatura revolucionária inspirou fortemente a minha geração.

Está em cartaz no Centro Cultural Renato Russo a peça Se Eu Fosse Eu – Clarices, com as atrizes Camila Guerra, Juliana Drummond e Rosanna Viegas. Nesta peça, as atrizes falam textos de contos e poemas da grande escritora brasileira. O que pode parecer hermético, num primeiro momento, vai se formando em significantes e significados imprescindíveis para a compreensão da feminilidade.

A cena se divide entre as 3 atrizes e trata de maternidade, sexualidade e espiritualidade. Para tanto, o Agrupação Teatral Amacaca adaptou três contos da autora: “O Ovo e a Galinha“, “Perdoando Deus” e ” Miss Algrave”. Muito embora o texto parece hermético, como sói acontecer com o trabalho de Clarice Lispector, as histórias vão se costurando entre si e formando uma unidade semiótica que beira o transcendental. Isso porque as atrizes são primorosas na construção das interações cênicas.

Exatidão técnica que faz a diferença

A direção equilibrada das atrizes transporta a plateia para momentos de riso e de tensão no ponto certo. A luz de Abaetê Queiroz serve a cena de maneira primorosa e a sonoplastia de Flávio Café também dá apoio à cena, de modo harmonioso, como deve ser. O cenário é exato, trabalho da atriz Juliana Drummond e execução de Lucas Fragomeni. Todas as peças estão ali, também, a serviço da peça, nada sobra ou falta.

Por fim, mas não menos importante, o trecho final da peça tem um sabor especial, porque traz uma referência (não sei se proposital), à grande bailarina alemã Pinah Bausch! São minutos transcendentais de puro gozo dionisíaco. Assistir ao espetáculo é um deleite dos sentidos.

Ingressos: Compre aqui

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