Teatro em casa

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O Grande Dicionário Houaiss tem várias definições de TEATRO, dentre as quais destaco “lugar ou edifício destinado à representação de obras dramáticas, óperas ou outros espetáculos públicos” e “a arte de representar ou de se apresentar a um público teatral; cena, palco”. Por conta dessa situação sanitária, a essas definições talvez seja apropriado acrescentar outras, que envolvam a transmissão de cenas.

A transmissão de cenas por meio eletrônico já existe há muito tempo e por causa dela, desde que o cinema foi inventado, a ameaça do fim da cena teatral é anunciada. Embora totalmente diferentes, ambas as linguagens tratam de contar uma história por meio da representação dela por atores que compõem personagens e a apresentam ao público. O que as difere é, basicamente, a instantaneidade. O teatro é efêmero, o que acontece no palco é único, sublime, irreconstituível (desculpem o neologismo) e inigualável. O espectador pode ir ao teatro todos os dias de uma temporada e cada dia verá uma apresentação diferente. Algumas vezes muito diferente, outra só um detalhe ou outro se modificará, mas certamente a energia, a vibração, os estados dos atores estarão alterados a cada dia. Na cena filmada, isso não acontece. A cena filmada está lá, cristalizada naqueles fotogramas e será sempre a mesma coisa. E nisso não há vantagem ou desvantagem. É tão somente uma diferença.

Depois do cinema, veio a televisão. Até então, o espectador deveria ir a um lugar, um edifício previamente preparado, para assistir a essas histórias. Com o advento da tv, as histórias passaram a ir às casas das pessoas. Não só elas. O aparelho é um centro completo de entretenimento e informação, para o bem e para o mal. Pode até haver alguma arte nessa linguagem, mas o objetivo é, basicamente, a divulgação comercial, a propaganda, a venda de bens e serviços.

Mesmo com todos esses percalços e tendo perdido grande parte do público, o teatro vinha sobrevivendo. Grandes espetáculos, espetáculos de bolso, e no meio disso toda uma gama de performances mantinham viva a arte abençoada por Dionísio. Até a chegada da pandemia de covid-19.

As salas de espetáculo sofreram as primeiras intervenções. Foram fechadas, espetáculos suspensos e nós, atores, agora temos de nos reinventar.

Algumas soluções estão sendo tentadas, e isso é assunto de uma matéria do site G1 de hoje, link abaixo:

https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/08/03/teatro-on-line-companhias-se-reinventam-em-pecas-no-zoom-com-atores-em-casa.ghtml

O teatro é a arte do ator; o cinema, a do diretor e a TV nem pode ser bem chamada de arte, mas é um bom entretenimento. Por isso essa discussão é tão imprescindível: para onde irá o teatro?

Eu tenho o desejo e a esperança que, depois de passada essa situação, os teatros passem a ser alternativas mais atraentes de entretenimento, porque muita gente vai estar farta da prisão, do distanciamento. Espero mesmo que isso aconteça.

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