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Dos lutos, da memória e das livres associações cerebrais.

Hoje o post é pessoal e tem a ver com a morte de minha mãe, no dia 11/03/2021. A saudade se ameniza, mas jamais passa, está ali, como um fantasma de dor rondando.

Cartaz da mostra de teatro das escolas

Estou relendo “Five Little Pigs” da Agatha Christie. Ontem à noite, durante a insônia, li um parágrafo citando o personagem Meredith. Na hora, meu cérebro viajou para Meredith Monk, que foi a trilha sonora do início do último espetáculo teatral de que participei e minha mãe foi ver.

Em abril de 2019, o feriado da semana santa foi mais ou menos junto com o de Tiradentes e mamãe e Cristina (minha irmã) foram me visitar no Rio de Janeiro. Eu estava em cartaz com “Quanto Você Calça”, uma criação coletiva dirigida por Susanna Kruger e iluminada por Aurélio di Simoni. No elenco: Eu, Tomás Ribas, Akemi Ono, Bibiana Rosembaum, Luana Darma e Catarina Marques. Foi uma grande experiência teatral.

Estreamos no Espaço Laban, que reinaugurava no bairro de Laranjeiras, Duas apresentações muito boas, numa espécie de mostra de teatro. Depois, fomos para o Nathália Thimberg, para participar da Mostra de Teatro das Escolas, organizado por Wolf Maya.

Da esquerda para a direita: Tomás Ribas, Akemi Ono, Catarina Marques, minha diva inspiradora Susanna Kruger, Aurliano di Simoni, Bibiana Rosembaum, Luana Darma e eu.

Minha mãe estava lá e foi me ver. Foi a última vez que foi ao Rio. Já estava de cadeira de rodas para se locomover fora de casa, mas isso não a impedia de passear, viajar, se divertir. Como era uma espécie de feriadão, íamos à praia todos os dias. Descobri o esquema que ela mais gostava de praia: os quiosques de Copacabana, especialmente os do posto 5, porque são na sombra, longe da areia, tem comida e bebida e, de lá, ela podia ver o mar sem ficar toda melecada de areia.

Pois bem. Voltando ao Cinco Porquinhos, da Ágatha, passei pelo nome Meredith, me lembrei da trilha sonora, da peça, por conta disso, de mamãe e chorei.

Assim é para mim: a saudade é uma dor cada vez mais espaçada, mas sempre profunda.

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