Partimos de Instanbul para Ankara na segunda-feira. Foi uma viagem bastante tranquila, considerando-se que o aeroporto doméstico de Istanbul é bastante seguro. Há uma esteira com raio X na entrada e outro no controle de entrada para o salão de embarque.

Ao chegarmos a Ankara, fiquei surpreso com a modernidade do aeroporto. É bem lindo.

Espelho d'água no desembarque do aeroporto de Ankara

Na saída, no entanto, nossa coleguinha Irismar, uma médica pediatra de João Pessoa, quebrou os óculos escuros. De tão preocupada com isso, saiu do aeroporto sem a malinha dela. Foi tão engraçado. Nós todos lá fora, bem contentes, na porta do aeroporto, e ela coloca as duas mãos pra cima e diz:

Quando olhamos para trás, lá estava a malinha dela, sozinha, no saguão do aeroporto. O pior é que por onde saímos não era possível entrar mais. Ela teve de buscar outra porta, que ficava a uns 50 metros.

Do aeroporto, partimos para o Museu da Anatólia, no qual há uma exposição permanente sobre a cultura local. É muito bacana. Há registros da presença humana na região que datam de 23 mil anos antes de Cristo. Muito do que somos hoje, devemos a essa população.

Em seguida, fomos ao mausoléu de Atatürk. O cara é O CARA na Turquia, afinal, foi o proclamador da república, laicizou o país e baniu tanto os califas, que são os herdeiros de Mohamed (Maomé), e os sultões, que eram os reis do pedaço. Agora, aqui na Turquia é uma república leiga, unitária e parlamentarista. O presidente é eleito pelo parlamento e o primeiro ministro é eleito pelo povo. Além disso, ocidentalizou a escrita da língua, instituiu um Código Civil, dentre outras reformas. Era uma espécie de déspota esclarecido. Há referências sobre ele em todo o País, estátuas, placas, tudo, enfim.

O mausoléu é um imenso túmulo frígio. Eu já achava o memorial JK em Brasília um exagero, agor que conheci este memorial, já estou achando que o nosso presidente bossa nova é até tímido.

um dos quatro corredores que cercam o pátio do mausoléu.

Depois disso, almoço e partida para a Capadócia. A primeira parada foi um lago salgado, meio sem graça. Depois, paramos na cidade subterrânea, que é bem linda. Aliás, deveríamos procurar entender o sistema de resfriamento dessas habitações milenares. Enquanto na superfície fazia um calorão de matar calango, lá dentro, nos compartimentos, era muito fresco. Uma temperatura bastante agradável.

Em seguida, fomos para o hotel Perissia. Muito bacana. Mas eu estava completamente mareado da viagem. Entraçado que isso jamais aconteceu comigo. Não consegui desfrutar do maravilhoso jantar que já estava na conta. Mas enfim, Nelson juntou uns docinhos – deliciosos, por sinal – e levou para o quarto. Foi meu jantar.

No dia seguinte, acordamos às quatro da madrugada para o ponto mais excitante desta viagem, um passeio de balão sobre a Capadócia, com vistas simplesmente indescritíveis.

 

A viagem de balão é um espetáculo todo especial, sobre o qual não vou comentar mais nada, porque cada um tem de vir e fazer por si mesmo.

De tarde, visita guiada pela paisagem incrível da Capadócia, com uma parada na igreja dos primeiros cristãos, em que há um afresco lindo com o meu querido São Jorge, que é da região, como todos sabem.

imagem original de são jorge - Salve Ogum!

Os olhos estão raspados em razão de uma superstição local. Os olhos de todos os ícones estão raspados.

Fomos ainda a uma fábrica de tapetes só para eu ficar babando com a beleza. Foi uma aula de fabricação, desde a seda até o tapete. Fiquei encantado, mas para que haja seda, há uma enorme mortandade das mariposas. As larvas são todas assassinadas. Mas enfim… Os tapetes de lã e algodão também são maravilhosos, especialmente um de lã mercerizada, que troca de cor à medida que a gente se move à volta dele.

À noite, fomos a um restaurante subterrâneo muito maneiro, mas o serviço era péssimo. As bebidas quentes, incluídas no preço do passeio. Eu fiquei mais interessado em ver esse show por causa dos Dervishes rodopiantes. Eu estava curiosíssimo para ver uma cerimônia. A música é fascinante. Mas foi tão brochante. Péssimo mesmo. E o pessoal reclamando da bebida quente, do serviço, ou seja, tudo contribuiu para ser ruim.

Contudo, havia uma parte do show que era muito interessante: a niteroiense Clara Süssekind. Ela é uma excelente dançarina do ventre e se destaca dos bailarinos turcos. O folclore turco é tão interessante quanto a catira goiana. Os bailarinos são os mesmos o tempo todo. Valeu ter ido, mas não aconselho a ninguém pagar os 45 euros do espetáculo.

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