Minha ligação com o piano é antiga. Minha tia, uma das mais queridas, tipo segunda mãe, era a professora de piano da cidadezinha do interior onde fui morar. Admirava o som daquele instrumento gigantesco e os acordes me deixavam fascinado.

Com o tempo fiz algumas aulas de piano, mas como bom geminiano, a disciplina jamais foi meu forte. Acho até que, se eu me esforçasse mais, seria um bom executor de músicas fáceis, mas com três anos eu já havia me desinteressado. Há um certo arrependimento meu de não ter continuado, pelo menos para saber um pouco mais de harmonia. Enfim…

Mas ontem o canal Brasil passou o filme sobre João Carlos Martins. Pôxa! Como foi bom ter redescoberto esse artista! Excelente. As gravações das obras de Bach são da ordem do divino, impossíveis de se ouvir impassível e ser sentir muita emoção. Bach é quase matemática na música. Acordes perfeitos, sons absolutamente impecáveis e a execução do João Carlos é magistral. A direção é competente. Nada demais, nenhuma grande criatividade, nada de pirotecnias ou efeitos especiais, mas sensível, denota um conhecimento da arte da atuação, porque os atores estão todos muito equilibrados.

Os destaques são, lógico, para os dois protagonistas: Rodrigo Pandolfo e Alexandre Nero, que fazem o maestro na fase jovem e na fase adulta. Excelentes atuações. Não sei se o Pandolfo tem algum conhecimento de música e de execução de obras pianísticas, mas a interpretação dele nos concertos é ótima. O Nero, sabemos, além de excelente ator, é músico profissional. Certamente a execução de música clássica deve ter vindo com uma certa facilidade, mas imitar João Carlos, mesmo que em play back, deve ser um desafio e tanto.

No centro da trama está a música. Excelente. A cena em que João Carlos é desafiado a preparar uma peça quase inexecutável em 3 semanas é altamente excitante. Ficamos torcendo para o sucesso do maestro. O tempo longe da música também, por conta de uma queda enquanto jogava uma pelada com o time da portuguesa no Central Park que atingiu nervos do braço, são uma aula de perseverança. A música redimiu João Carlos. Deixou de ser um pianista virtuoso para se tornar um dos Maestros mais importantes da contemporaneidade, especialmente pelo trabalho com comunidades carentes. Viva João Carlos Martins. Obrigado pelas gravações e ótimas horas de deleite ouvindo o alemão barroco!

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