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LITERATURA

reflexões sobre domésticas e parasitas

Hoje abri essa matéria no Uol. Bem estranhos esses economistas. Primeiro o termo freada. Sempre me lembra a cueca suja e é bem o que a nossa economia está parecendo: uma cueca usada por uma pessoa pouco higiênica. O ministro da economia é um boquirroto, excretor de preconceitos e declarações estarrecedoras, escatológicas mesmo. E os resultados alardeados pelos jornais como positivos mal passam de pífios. 1% de crescimento depois de tanta desaceleração, desindustrialização é absolutamente insignificante. O neoliberalismo é assim: quando um governo mais à esquerda (porque os dois períodos de Lula e o período e meio de Dilma jamais podem ser chamados de governos socialistas) toma atitudes tendentes a eliminar, ou pelo menos tentar diminuir as discrepâncias e injustiças sociais, as classes dominantes, especialmente os rentistas, se apavoraram. Jamais consegui entender a razão, uma vez que os bancos lucraram assustadoramente, o comércio bombava, enfim estava todo mundo feliz.

O mais paradoxal é que esse tipo de crescimento, enquanto Dilma era presidente, era tratado com sarcasmo, apontando uma inépcia da equipe econômica. Agora o resultado é bom? Difícil engolir esse sapo aí.

E outra coisa importante de se analisar são as causas da crise econômica: quando da reeleição de Dilma, em 2014, o PSDB, na pessoa de Aecinho Never, ficou indignadíssimo. Oras, filhos, não conseguiram vencer, contentem-se com a derrota e façam uma campanha melhor na próxima eleição. Mas não. O mocinho bateu o pé e disse que a direita atrapalharia o quanto pudesse. Aí nasceu a crise. Talvez aliada ao fato de que Dilma não tergiversava e não dava pelota para a galera mais corrupta do Congresso Nacional, o impedimento dela tomou vulto. Depois foi comprovado que jamais houve crime de responsabilidade, que ela não havia feito nada de errado, a não ser deixar de negociar com a banda execrável dos parlamentares brasileiros (aí incluídos os membros do partido a que então estava filiado o atual presidente). Isso quer dizer que a crise foi fabricada, porque havia dinheiro. E os bancos continuavam lucrando em padrões elevadíssimos e batendo recordes.

Depois do impedimento, veio o mandato do Temer. Assombroso. A tal ponte para o futuro se parecia mais com um túnel para o inferno. Mas a narrativa da imprensa era a de retomada do crescimento e tal e coisa. Estamos esperando. Desde abril de 2016, quando Dilma se afastou para enfrentar o processo de impeachment e Temer tomou de assalto a presidência da república, o câmbio só fica mais desfavorável, os combustíveis não param de encarecer, a inflação disparou, a atividade econômica está travada. A esperada retomada de crescimento foi um fiasco tão apavorante que pavimentou o caminho para esse energúmeno ocupante do Planalto.

A economia sem decolar desde então, temos agora o balanço péssimo do primeiro ano deste grupo absurdo, uma equipe mais parecida com um elenco de comédia satírica de péssimo gosto. Mas os jornais, contribuintes e credores do golpe, insistem em pintar de melhora o que nem voo de galinha é. Os números são claros, mas as matérias dos cadernos de economia continuam oximoros. É mais ou menos o que acontecia no período da esquerda no poder: embora o desemprego fosse mínimo, o comércio e a indústria estivessem a pleno vapor, os cadernos de economia eram sempre pessimistas. Agora, embora tudo esteja péssimo, os jornalistas assopram otimismo. Fico me perguntando quem paga esse jabá.

Ainda temos o estranho fenômeno dos bolsomínions. Eles parecem recém convertidos a uma seita apocalíptica. Tudo o que o sujeito expele pela boca eles aplaudem. E a resposta, quando criticados, é um mantra: mas e o PT? O Lula isso, a Dilma aquilo. Olha só, galera: já faz o maior tempão que o Lula deixou a presidência. Dez anos, pra ser mais exato. Esqueçam o cara. Ele foi o melhor presidente deste País para as classes menos favorecidas e isso é inegável. Basta lembrar que em 2002, uma criança morria de fome a cada cinco minutos no Brasil. NO BRASIL! O País mais rico em recursos naturais do planeta. E morria não por conta da escassez, mas por causa da péssima distribuição de recursos. E Lula mudou isso. E inaugurou escolas e abriu bibliotecas. Pisou na bola, claro. Todos os que sobem como ele se comprometem com o lado escuso e apodrecido da política, mas os antecedentes e os sucessores também (exceto Dilma, que pagou um alto preço por isso), mas ele estava preocupado com os menos favorecidos. Só isso, para mim, já basta.

Depois que o PT foi apeado do poder já se passaram 4 anos. Chega de falar do passado tão distante. A direita foi incapaz de sair do atoleiro econômico causado por ela mesma! A minha pergunta agora é: o que falta para voltarmos às ruas?

Uma resposta

  1. A ascensão das Classes Sociais sempre incomodou a elite e a falida classe média. Isso mostra que o Brasil é um País de egoístas.

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