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LITERATURA

A última vez que tinha saído de casa foi domingo último. Eu estava com Teka aqui em casa, porque o Nelson estava trabalhando todos os dias. Domingo avisaram que a produção na qual ele trabalhava vai ser suspensa até segunda ordem e eu tive de devolvê-la.

Tomei um táxi, entrei com ela, fui até a porta da casa do Nelson, entreguei a teka e retornei. Domingo, 11h da manhã, tinha sido a última vez na rua.

Hoje, porque tinha de ir ao banco, acabei aproveitando para ir ao mercado também, comprar umas poucas coisas. O mercado grande aqui de Copacabana estava LOTADO. A rua Siqueira Campos estava lotada. Os idosos daqui estão todos na rua. É impressionante. Eles de fato acreditam nesse energúmeno em quem votaram. Ele manda ir pra rua, com o risco de matar gente à beça, e os desavisados saem todos. Eu quase entrei em pânico, porque os exemplos da Europa não estão bastando para as pessoas se convencerem.

A quantidade de mortos, a maioria na região Norte da Itália, a que mais se negou a ficar em casa, é assombrosa. Morrem às centenas por dia. Ontem foram quase mil! Todas as idades, classes sociais, cores e gêneros.

Triste, muito triste. Sei que Obaluayê está reinando forte nessa área, e quando ele surge, não poupa rico, pobre, fiel, incrédulo… Não vê a quem atinge. É uma das forças da natureza, que, talvez, esteja defendendo o planeta da praga que nós, seres humanos, nos tornamos.

Espero que ainda haja tempo para frear a curva de contaminação.

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