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ARTE

Terça-feira última eu tomei uma decisão: me desfiz de muitos CDs que entulhavam a minha estante. Discos que eu jamais ouvia e só acumulavam poeira. Foi interessante, porque eu refiz uma trajetória de comprar discos que eu nunca ouvi, porque não sou dessas pessoas de ouvir muita música. Acho que não sei mais me sentar e ouvir um álbum inteiro de cantor ou compositor nenhum e, com o advento do Spotify, isso ficou definitivamente para trás. Pesquiso e consigo baixar músicas de diversos compositores, inclusive de países antes inacessíveis (Nigéria, Gana, Índia, por exemplo). Saímos um pouco do eixo EUAN/Europa.

Ficaram os discos do Chico Buarque, do Caetano e da Bethânia, por um apego inexplicável. Alguns filmes em DVD, que eu quero rever assim que instalar o novo computador, já que meu DVD nem funciona mais.

Engraçado foi que na aula da Susanna Kruger, mais tarde, ela colocou no início, um vídeo do Youtube com uma música de trilha novela antiga, com selo da Som Livre no vídeo e começamos um papo sobre qualidade de som. Ela ama os discos em vinil e acha incomparável a qualidade sonora. Eu argumentei que jamais tive um aparelho de som com qualidade suficiente para apreciar essas nuances. O melhor que já tive foi um CCE modular. Era um monstro: vitrola, rádio, toca-fitas cassete, mixador, equalizador e amplificador, com caixas de som gigantes. De fato o volume era enorme, mas a qualidade, não sei se tão boa assim. De toda forma, comprar discos com freqüência estava fora do orçamento doméstico. Eu cheguei aos 30 anos, época da popularização do compact disc em oposição aos discos de vinil com uma mixuruca coleção de uns 20 discos no máximo. Alguns muito bons, como Home of the Brave e Big Science da Laurie Anderson e Mais da Marisa Montes.

Eu me lembro de que era um objeto de desejo ter discos, os Long Plays, com seis ou sete músicas de cada lado. Era mais ou menos o espaço de meia hora de música. Lado A e Lado B, uma seleção de repertório cuidadosa, com uma liga entre as canções. Algumas bandas e cantores tinham uma produção anual. Outros, como o Chico Buarque, eram aguardados ansiosamente, porque não lançava todos os anos e não sabíamos quando sairia o próximo. Alguns amigos tinham muitos discos. O Fábio, amigo desde 1982, era um que comprava vários. O Adelmo Café, pai da Mônica, minha colega de elenco no grupo de teatro da prefeitura, tinha uma parede organizadíssima, com coleções de clássicos, eruditos, rock, MPB, enfim, um parque de diversões para os amantes da música.

Para mim, não havia esse apego ao objeto. Discordo da Susanna, porque não acho que o som do vinil é melhor do que o digital. Hoje eu consigo ouvir os arranjos com muito mais clareza. Mas isso pode ser resultado do treinamento auditivo ao longo dos anos, mas o fato é que não tenho saudades mesmo de LPs ou CDs.

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