Ainda com as cenas da barbaridade terrorista de ontem na memória, assisti a Luana Muniz, a Filha da Luz, no Canal Brasil. Não dá pra não comparar a família tradicional que quebrou prédios públicos com a travesti diva que protegia a Lapa.

Luana Muniz – Travesti não é bagunça

A frase Travesti não é bagunça viralizou porque Luana deu uma surra num cliente que não quis pagar o programa. E aí, todos nós, pequeno-burgueses da Zona Sul, tomamos conhecimento dessa figura icônica, residente da Lapa, protetora dos indigentes. Luana tinha um trabalho de recolher aqueles que a sociedade tradicional considerava indesejáveis. Abrigava e tratava de homossexuais expulsos de casa e dos moradores de rua da Lapa.

O documentário conta a história dessa pessoa que voltou da Europa no fundo do poço, se reergueu e construiu uma trajetória de respeito e de dignidade capaz de emocionar figuras públicas do calibre de Alcione e Padre Fábio de Melo.

Fiquei então pensando nas cenas bárbaras das famílias defensoras de tradição e da propriedade, protagonizadas ontem pelos terroristas da extrema-direita, defensores ainda do excremento ocupante do Planalto de 2019 a 2022 (ainda me recuso a dizer, mencionar ou escrever o nome da criatura nefasta).

Vimos pessoas quebrando vidraças dos prédios públicos, ostentando em vídeos pelas redes sociais os comportamentos mais execráveis, condenáveis em qualquer situação, porque predatórios de edifícios públicos. E o conceito de prédio público não é prédio de todos, mas local que serve à população.

Obras de arte raras foram atacadas. Há cenas de idosos defecando em mesas. O original da constituição foi destruído ou roubado. O delírio lembrava uma epidemia de São Vito. E aquelas pessoas se dizem defensoras da pátria, de deus e da família.

E eu fico me perguntando: que deus essas pessoas veneram? E como eles se arrogam o desplante de se acharem superiores a pessoas como Luana?

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