Deu no Correioweb de hoje:

http://www.correioweb.com.br/euestudante/noticias.php?id=4914

Então: eu me lembro muito bem do meu tempo de faculdade de direito. Estudei na “prestigiadíssima” AEUDF, atualmente UniDF. A maioria dos meus coleguinhas estudava pouco. Tá bom: era um curso noturno, fácil, com professores apenas regulares, salvo raríssimas exceções. Mas quem faz o curso é o estudante, o aluno. Não adianta ter um professor excelente se o aluno simplesmente não abre um livro. E no mundo do Direito, tem de gostar de ler e de escrever.

Os colegas de curso, então, não estudavam. Às vezes porque estavam cansados, mas a maioria do tempo era simplesmente por preguiça mesmo. Aí, já viu o desempenho da UniDF no provão e, principalmente, na prova da OAB. Muitos de meus contemporâneos estão até hoje tentando se acertar com essa aprovação. A prova da Ordem é realmente difícil, mas não é impossível, de modo nenhum.

A questão mais séria dessa discussão é a qualidade do serviço prestado à população. Oras, pelotas, segundo a Constituição, os serviços de advocacia são imprescindíveis à prestação jurisdicional. Traduzindo: no sistema judicial brasileiro, sem advogado, é impossível obter qualquer decisão judicial, ressalvadas as pequenas causas, nas quais o reclamante pode pleitear por si mesmo. Sem um mínimo de controle de qualidade, o cidadão ficará à mercê de péssimos profissionais, situação que pode custar muito caro para quem necessita de uma resposta do juiz.

Há quem defenda um maior controle da abertura de cursos de Direito, pois, afinal, eles proliferam como erva daninha. A fiscalização prévia na qualidade do ensino ajudaria, mas o estudante tem de fazer por onde também. Sem estudar, sem esforço pessoal, é impossível aprender. Aliás, é mais ou menos como exercício físico. Não adianta ter um excelente treinador, se o praticante não obedecer ao número de repetições e às posições adequados, não alcançará o objetivo. Quem aprende é o aluno, por esforço próprio.

Então, acho que essa turminha deveria era estudar mais para passar na prova da OAB e começar o movimento por melhor qualidade de ensino, desde o fundamental.

0 resposta

  1. Dessa vez me senti na obrigação de comentar…. 😀
    Sou uma amiga do Cris da época da faculdade, passávamos um bom tempo “trocando figurinhas” na rampinha e tenho que admitir que eu não me empenhava muito em estudar, mas não era de todo vagabundagem ou preguiça e sim total falta de vocação para o Direito. Na metade do curso vi que Direito não tinha nada a ver comigo e aí veio o dilema: termino ou não termino?
    Depois de ouvir muitos e muitos conselhos resolvi terminar o curso, fiz a prova da OAB e passei, mas nunca advoguei.
    Muita gente descobre que não tem vocação pra coisa durante o curso, assim como muita gente faz um determinado curso para agradar pai e mãe, ou porque acha que tal profissão dá mais dinheiro e isso pode ajudá-lo a mudar a sua vida. Muitas coisas levam as pessoas a não se dedicarem na faculdade, mas isso não é exclusividade do Direito e sim de tudo o que envolve o ser humano. Uns não se dedicam em ser bons pais, mães, filhos, maridos, esposas, amigos, outros em serem bons funcionários, boas pessoas e assim caminha a humanidade. A verdade é que poucas pessoas fazem o seu melhor em várias áreas da vida. É ruim uma pessoa não ter um advogado de qualidade, mas não é muito pior não ter um médico de qualidade?
    Beijos!!!!

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