Em homenagem à Elisa Lucinda, que me libertou para ouvir as conversas dos passantes e assumir que faço isso.

Hoje fui almoçar com amigos de Brasília que estão hospedados lá em casa. Marquei com eles às 13h30 na estação Uruguaiana do Metrô. Enquanto me dirigia para lá, ouvi duas mulheres conversando. Uma devia ser turista, porque a outra explicava-lhe que ali era o centro comercial popular mais vigoroso da cidade do Rio de Janeiro, e que respondia pelo nome de SAARA.

A turista perguntou a razão do nome e a “conhecedora” soltou:

– É porque a maioria dos comerciantes que se estabeleceu por aqui é árabe, da região do Saara.

Ou seja: dois desconhecimentos. O deserto do Saara fica na África, e não na ásia. A península arábica é ocupada, na maior parte, pelo deserto da Arábia. Mas tudo bem isso, porque é em outro continente e tal. Mas não saber que SAARA, no Rio de Janeiro, é uma sigla, é muita falta de cultura. O acrônimo está para Sociedade dos Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega, cuja sede fica no centro no 233 da Rua da Alfândega.

Depois daquele lauto almoço na Brasserie Rosário, despedi-me dos amigos e voltei para o trampo pela Rua 1º de Março. Passando em frente ao palácio Tiradentes, ouvi outra pérola da ignorância nacional: um rapaz apontou para o prédio e disse: aqui é a Alerj, a Assembleia Legislativa, onde trabalham os senadores.

Estou até com dor de cabeça depois de uma dessas.

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