Pois em tempos de eleição os cronistas ficam como em tempo de copa do mundo: monotemáticos.

Hoje o Cony – um dos meus ídolos – publicou uma crônica da folha de são paulo falando sobre as eleições gerais na suíça. Eu já tinha ouvido a história, mas sempre achei que era lenda. Agora, com um sujeito do gabarito do Carlos publicando num jornal de grande circulação, fica um pouco mais difícil a hipótese mitológica.

Eis o texto:

CARLOS HEITOR CONY

Quem?

RIO DE JANEIRO – Desconfio de que já contei esta história em crônica muito antiga, mas de forma incompleta. Agora, com a proximidade das eleições, acredito que ela deva ser relembrada.
O escritor Álvaro Lins foi editorialista do “Correio da Manhã”, chefe da Casa Civil na Presidência de JK e embaixador em Portugal, onde, aliás, criou um caso internacional dando asilo a um adversário do regime salazarista. Muitos o consideram o crítico literário mais completo do Brasil. Sua entrada na Academia Brasileira de Letras foi uma noite memorável, pois chegou atrasado duas horas para a cerimônia.
Em Lisboa, ele decidiu visitar a Suíça, sendo ali recebido com todas as honras. Na manhã do seu primeiro dia em Genebra, depois de ler os jornais locais, deu um giro pela cidade em companhia de um funcionário do governo. Andou pelas ruas, de carro e a pé.
Em dado momento, comentou: “Li nos jornais que hoje é dia de eleições gerais. Mas não estou vendo nenhum movimento especial, nenhuma fila, nenhum posto eleitoral…”. O funcionário explicou: “Senhor embaixador, hoje, realmente, é dia de eleições gerais, e elas estão se processando normalmente”. “Mas como? Não vejo nenhum movimento… nenhuma fila… parece um dia qualquer…”.
“Não precisamos de filas. Cada quarteirão tem uma urna em local determinado. O eleitor chega e deposita sua cédula. À meia-noite, as urnas são recolhidas e, no dia seguinte, o resultado é proclamado.”
Álvaro Lins ouviu, abaixou a cabeça, pensou um pouco e perguntou: “Mas digamos… um eleitor pode depositar na mesma urna ou em outras muitas cédulas de um só candidato, dez, vinte… cem… e aí como é que fica?”
Foi a vez de o funcionário suíço ficar espantado:
“Mas senhor embaixador, quem faria isso?”.

E aí? o que vocês acham? é verdade ou mentira?

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