Diversos

Hoje terminaram minhas férias. Estou de volta ao trabalho. Meio em regime de soft opening, vendo as coisas mais urgente e pendentes. Por isso dá pra fazer este post.

Nessas férias, fui à maravilhosa Salvador. Gente, tenho de dar o braço a torcer. ACM Nato – oops, Neto – está fazendo um trabalho muito bom. Penso que está pretendendo virar governador do Estado. Se depender só da capital, ele estará eleito. Todo mundo com quem conversei elogia a gestão dele. Uma coisa é certa: o tratamento do turista melhorou enormemente. Aquela lenda de que garçom na Bahia demora demais a nos atender caiu por terra. Fui bem atendido em TODOS os bares e restaurantes a que fui em Salvador. O destaque é para o restaurante da Preta, na Ilha do Frade. Pra chegar lá é um pouco perrengue: pega-se um ônibus para Madre de Deus, uma cidadezinha do Recôncavo, e de lá um barco para a ilha. Viagem boa, mas o Wadson passou um pouco de medo, porque o mar estava levemente agitado na ida. A Ilha é uma graça e vale bem o passeio. O sr. Rivelino, barqueiro que contratamos em Madre de Deus, foi muito pontual e nos tratou bem o tempo todo.

O restaurante é ótimo. Um pouco mais caro do que eu estou acostumado a pagar, mas vale cada centavo. Comi uma moqueca pra lá de deliciosa, num ambiente lindinho demais. Vários guarda-chuvas pendurados nas árvores à guisa de teto dão um charme muito especial. Há vários espaços, com mesas diferentes umas das outras, cadeiras também diferentes, mas tudo muito harmonizado. É bom tanto para almoço romântico quanto para grupos. As pessoas que atendem são atenciosas sem serem solícitas, estão treinadas no ponto e são muito profissionais mesmo.

Outro lugar ótimo de comer foi o Poró, que fica em Santo Antônio Além do Carmo. Ambiente requintado sem ser pernóstico e os atendentes também foram ótimos. A comida era muito boa, mas a quantidade é pequena. Como não anotei nada, já me esqueci do que comi naquele dia, mas me lembro de que gostei deveras.

No penúltimo dia das férias, fomos ao Amado. Esse é sofisticado. Chão de tábua corrida, muito bem lustrado, atendentes também ótimos. A hostess é branquinha e tem aquele sorriso meio forçado, quando vê dois caras de bermuda e um deles – eu – ainda de tênis de malhação. Mas a comida era excelente. Pedi um prensado de cordeiro de comer de joelho! Excelente.

Para mim, dois pontos foram os mais altos dessa temporada: a festa de Yemanjá, que foi a razão pela qual fui a Salvador desta vez e uma peça do João Falcão no Sesc Casa do Comércio.

A festa de Yemanjá foi muito linda. Começou na sexta-feira, para quebrar ainda mais o paradigma de que baiano deixa tudo para a última hora. As barraquinhas já estavam sendo armadas e a animação nas ruas do Rio Vermelho, que se transformou num bairro bem boêmio, era visível e contagiante. No sábado estava um fervo. Fomos pra lá depois da peça. No domingo, enfrentei duas horas de fila, embaixo de sol quente, para colocar umas rosas brancas e agradecer a Yemanjá pelo restabelecimento da saúde de minha mãe e rezar pelas pessoas que me pediram. Pensei que, depois de tanta fila, eu talvez estivesse cansado demais quando entrasse no recinto do presente, mas a energia é tão grande que fiquei foi emocionadíssimo. A gente entra numa palhoça e lá estão muitas flores, oferendas e pessoas cantando e rezando. É lindo demais!

A peça eu vi no sábado. Chama-se “Que Deus Sou Eu” e trata de um trecho do Bhagavad Gita, em que Krishna e Ajurna se encontram no campo, segundos antes do início de uma batalha crucial. Leandro Villa dá vida a Krishna e Daniel Farias a Ajurna. São atores fantásticos. Físico impecável. As coreografias são maravilhosas, a luz é de uma sensibilidade estarrecedora e o cenário, um daqueles carreteis de cabo de alta tensão, vira plataforma, montanha, carruagem, trono, tudo! Eu sou fascinado com essa mágica dos objetos no teatro – o campo das infinitas possibilidades. João Falcão acabou se superando mais uma vez.

A Bahia tem dessas coisas. Como já dizia mestre Caetano: “A Bahia tem um jeito”.

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  1. Que relato fantástico! Destacaria os mesmos pontos. Eu acrescentaria a praia do Buracao, um luxo soteropolitano. Como você mora no Rio, talvez a praia não faça tanto barulho.

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