Estamos ainda a 7 meses das eleições. Campanhas oficiais ainda estão proibidas, limitadas temporalmente pela legislação eleitoral, mas tudo o que se fala hoje é de eleições para presidente da república em outubro. Especulações de quem será o vice na chapa hoje mais cotada para vencer, talvez em primeiro turno, do ex-presidente Lula estão nas pautas da grande mídia o tempo todo.

Política é um jogo caro, sujo e desigual. Quem realmente ganha são os verdadeiros detentores dos fatores reais de poder, ou seja, os donos do dinheiro, aquele 1% da população de que tanto ouvimos falar. A quantidade de grana que eles concentram é indecente. Ultrapassa qualquer fantasia de riqueza alimentada pelo andar de baixo da economia. E eles são perversos, para eles, esse direito de concentração é divino e inquestionável.

Mas pelas notícias veiculadas cotidianamente, só dá pra sentir o desespero deles com a perspectiva da volta de um governo um pouco mais preocupado com justiça social ao centro do poder. Tentam, de todas as formas, minar a candidatura de Lula e dos demais petistas.

No noticiário nacional, se fala muito na eleição para governador de São Paulo. Essa mítica do Estado e da Cidade sudestina ainda povoa nosso imaginário, mas está longe de ser, de fato, uma determinação. Serra e Alkmin eram governadores de São Paulo e perderam as eleições quando concorreram com Lula. Tudo bem que perderam em segundo turno, mas isso demonstrou a diminuição da força do PSDB, depois de um segundo mandato desastroso do Fernando, um intelectual destruidor de bibliotecas e escolas.

São Paulo é um estado diferente, mesmo. Viajando por lá de carro – atravessei parte do País 2 vezes em 2021 – dá pra notar a qualidade das estradas, bem sinalizadas, mantidas com esmero. O preço é alto. Os pedágios são muitos e quase todos mais de R$ 10,00. Mas isso não se traduz em votos pelo Brasil afora. Hoje as eleições são decididas em outros partes do País.

Penso que a Mítica em torno disso é só uma questão de tradição mesmo. Hoje há milionários mais espalhados pelo País e o “dinheiro antigo” de Sampa dá mostras de não deter mais tanto poder assim.

E falo disso porque não se discute nas páginas dos jornais quem será governador nos demais Estados. Só a briga de Haddad, Boulos, Marcio França e Doria ocupam o noticiário em nível nacional.

Por que isso ainda?

E essa conversa de quem será vice do Lula, voltando à vaca fria. Ainda falta tempo para as convenções. Ficar o tempo todo martelando que a aliança com o picolé de chuchu vai se estabelecer parece ter mais a função de desestabilizar os apoios. Eu detestaria ter de votar num nome tão infame quanto o desse santarrão hipócrita, espancador de professores. O PSDB se mostrou, onde foi eleito, um defensor das elites e massacrador da população mais pobre. Entreguista. Estragou toda a história bem calçada na implantação do Plano Real, a maior (talvez única) conquista realmente significativa desse partido.

Acho que essa discussão é inócua no momento. Quando estiver no tempo certo, o Partido escolherá um vice compatível com o momento. Muita gente quer se livrar dessa situação escalafobética em que nos metemos. Muitos se arrependeram de ter votado na criatura infame que se senta na cadeira do Planalto para ficar de bobeira, não tem agenda, não faz nada a não ser se proteger e blindar os filhos das investigações policiais.

Mas esses arrependidos não estão dispostos a votar na esquerda. Acreditam-se elite e estão buscando uma terceira via cuja dificuldade de decolar nas pesquisas é constante, mesmo atacando o principal candidato, ou talvez mesmo por isso.

Ainda há muitos meses e muita coisa pode acontecer. Os místicos e profetas veem Lula presidente no próximo período. É meu desejo e meu voto desde o primeiro turno, mas, sem ser oráculo, prevejo um período de imensa dificuldade.

Desde a redemocratização consagrada pela nova ordem constitucional, promulgada em 1988, o País tentou seguir uma senda mais democrática. Muito embora três períodos voltados ao neoliberalismo (Collor/Itamar, FHC 1 e FHC2), muita coisa foi conquistada. Nos anos de governo PT, muita escola federal foi aberta, vários campi universitários levados ao interior, a lei de cotas fez a cor das universidades mudar e trouxe um pensamento descolonizador para a academia. Essa renovação, embora tardia, é um refresco para o nosso conhecimento. Houve mais justiça social e uma tímida ascensão dos mais pobres ao mercado de consumo.

Tudo isso está sendo destruído, juntamente com o Cerrado, a Floresta Amazônica e o Pantanal por essa escumalha asquerosa eleita em 2018. Precisamos muito mudar o rumo dessa política, retornar ao crescimento. E é por isso que vou de Lula desde o primeiro turno, esperando que nem haja um segundo.

2 respostas

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