Então é o quarto ministro da educação deste pesadelo que se abateu sobre o Brasil, reflexo desse problema que acontece no mundo capitalista.

A Educação é um direito de todos

Os outros caíram por extrema inépcia em exercer o cargo, um dos mais importantes de qualquer governo, afinal, a educação é o que muda as pessoas e as torna capazes de alterar a realidade que vivem.

Durante os governos de esquerda, houve um incentivo imenso a essa área. Há muita crítica a ser feita, mas o investimento na área jamais foi tão grande. Tantos centros federais de educação tecnológica abertos, muitos campi universitários pelos interiores afora. Era lindo de ver: um operário, com pouca escolaridade formal, mas com uma capacidade de enxergar o que um País realmente precisa, fazendo a diferença nessa área.

Daí, caímos nesses já quase seis anos de desmonte. Azelite econômicas não conseguiram suportar o peso de ver a filha da empregada cursando a mesma faculdade que os filhos deles, eventualmente passando no vestibular à custa de um esforço hercúleo, porque só quem passa o perrengue de trabalhar e estudar à noite pode dizer o que é, quando o branquinho boa vida, que só estudava e tinha uma “escrava” pra lavar, passar, cozinhar, não conseguia pontos suficientes.

A extinção das instituições públicas

E o projeto é extinguir o máximo de instituições públicas. Educação voltada só para quem pode pagar.

Uma das frases mais significativas desse período é desse pastor/ministro que acabou de cair: “há muitos advogados, engenheiros, gente formada, dirigindo uber. Se fossem técnicos, estariam empregados. A universidade DEVE SER PARA POUCOS.”

São tantos erros numa fala só. A crise de desemprego gerada pela política econômica desastrosa do governo Temer e do desgoverno ao qual o pastoreco/sinistro da educação servia é que empurra os profissionais para esse tipo de prestação de serviços, de modo a, como dizem os ingleses, “make ends meet”, ou, em bom brasilianismo: pagar os boletos, e nada tem a ver com o grau de instrução do profissional; engenheiros, desenhistas, advogados, etc, poderiam estar trabalhando também como técnicos, porque quem pode o mais, sempre pode o menos, ou seja, não era o diploma o fator de impedimento de acesso a profissões remuneradas; por fim, como assim, a universidade deve ser para poucos?

A universidade e a carreira acadêmica devem estar abertas a quem tem vocação, para quem tem esse desejo. Até acho que não são todas as pessoas detentoras do talento e da capacidade de estudo necessárias para enfrentar um curso universitário, um mestrado e, quem sabe, até um doutorado, mas as vagas devem estar abertas para TODOS OS QUE SE SENTEM CAPAZES!

A corrupção religiosa

No fim, este não caiu pela inépcia em implementar as políticas deletérias e ideológicas do chefe dele, mas pela corrupção mesmo. Os pastores amigos do excremento sentado à cadeira do Planalto foram lá, fizeram tráfico de influência e, nesse cinismo que envolve o neopentecostalismo, obtiveram do pastoreco/sinistro da educação, verbas, ao que parece para a construção de templos, e não para investir em melhores salários para professores e demais profissionais envolvidos no processo de ensino formal, impressão de bíblias, etc. E foram flagrados nessas conversas.

Agora, os neopentecostais estão tentando se desvencilhar da imagem de corruptos. Infelizmente para eles, isso não será possível. Estão intrinsecamente ligados, umbilicalmente conectados com a trapaça e a enganação de incautos, fiéis que pagam verdadeiras fortunas nos cultos arrecadadores, pagam 100 reais por um vidrinho de 50 ml de óleo ungido, 150 reais pela caneta bic que vai fazê-lo passar numa prova de concurso, lenço com o suor do pastor, por módicos 200 reais. Oras, meus amigos, se isso não é enganação, o que é?

No fim, um quilograma de ouro comprava a distribuição de verbas para o município interessado na obtenção de parte do erário, já constitucionalmente destinado a essa utilização. Deve ter sido essa a razão do apoio maciço das comunidades evangélicas ao energúmeno da arminha com a mão. Grana correndo solta.

E o sucessor, já ocupante da secretaria executiva, também é da mesma laia…

Como já dizia Darcy Ribeiro, desde a década de 1980, a crise na educação brasileira não é uma crise, mas um projeto.

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