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CINEMA

Medida Provisória é um soco do Mike Tyson – Cópia

Baseado numa peça que foi baseada num romance, o filme de Lázaro Ramos, Medida Provisória, é um dos acontecimentos cinematográficos mais importantes do momento.

Cena do filme Media Provisória

A peça “Namíbia, Não” ficou em cartaz alguns anos no Rio de Janeiro, enquanto eu morava lá, mas jamais calhou de eu poder ver e, durante muito tempo, não me perdoei. Agora, com o lançamento do filme, descobri que é baseada num livro e a curiosidade pelo romance se acendeu. Já comprei e está na fila imediata.

Pois bem. Fazia muito tempo que não enfrentava uma sala de cinema. Acho que já falei sobre isso aqui: a plateia dos cinemas me aborrece profundamente. São criaturas barulhentas, compram baldes de pipoca e litros de refrigerante, compram balinhas com aquele celofane estridente, enfim, para uma pessoa com tremenda dificuldade de concentração, isso é um verdadeiro pesadelo. Mas uma grande amiga me convenceu, dizendo que o cinema de um xopim center da asa norte, por ser bem pequeno, é diferente. Depois, pegar uma sessão cedo da tarde, num dia de semana (era feriado no Rio de Janeiro sexta-feira passada), seria uma experiência menos estressante. Até foi. Mas a pipoca e o celofane me acompanharam. Não sei quem foi o imbecil que decretou a farofada como coisa normal durante um filme, além de ser um convite à obesidade mórbida.

Ufa, desabafei.

Um soco na boca do estômago

Mas vamos à película. O filme é um soco de Mike Tyson na boca do estômago! Adriana Esteves e Renata Sorrah brilham nos papeis de brancas preconceituosas. O elenco negro é simplesmente um deslumbramento. Até o anglo-brasileiro Alfred Enoch – de quem minha amiga gostou menos – é muito bom, atuando em segunda língua, uma dificuldade adicional para a arte do ator. Seu Jorge faz cenas profundamente comovedoras, imprime ao papel a ironia fina de quem sabe que está do lado do oprimido, mas não consegue se controlar a língua para satirizar a hipocrisia do opressor. Mariana Xavier faz a branca amiga, gente boa. Taís Araújo se mostrou uma atriz completa, atuação corajosa, impressionantemente bem construída.

Pôster do Filme

A montagem é ágil e os primeiros minutos do filme exigem estômago. Várias vezes quis me levantar da cadeira e sair, porque não agüentava ver aquelas cenas de abuso na tela. Suportei e, ao fim do filme, estava transformado.

Recomendo fortemente a quem se acha não racista ver o filme, As situações cotidianas, embora retratadas numa distopia, são espelhos de nossas atitudes mais mesquinhas. Não me excluo disso, porque como sempre digo, é impossível não ter preconceitos racistas neste País, porque nos foram instilados ao longo da nossa mais tenra infância, momento em que formamos algumas ideias difíceis de desconstruir, mas não impossíveis.

Por fim, impossível não falar da preparação dos atores. Lázaro Ramos trabalhou à quase perfeição. Além de prepará-los, foi responsável pela direção-geral do filme. Uma obra prima que traduz o grito da quebra dos preconceitos.

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