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CINEMA

Ó paí ó – uma comédia baiana

O título do filme já é uma apologia à fala baiana. Ó paí ó é a corruptela de olha pra isso. Monique Gardemberg, foi primorosa ao trazer os soteropolitanos à tela.

ó paí ó

Ó paí ó retrata a vida dos moradores de um cortiço do Pelourinho, bairro histórico de Salvador, num caleidoscópio de personagens coloridos, quentes e divertidos, como só se pode reconhecer na primeira capital do Brasil.

Tendo como pano de fundo a histeria neurótica de d. Joana, a dona da pensão em que todos se reúnem, evangélica radical, o desfile de personagens típicos daquela região nos diverte e nos enternece.

Roque, brilhantemente vivido por Lázaro Ramos, é um aspirante a cantor, lascivo e sensual, mas fortemente politizado. Está em busca da grande chance que todos os artistas buscam, para se destacar da multidão. Além de cantor, é carpinteiro, e nessa atividade, faz carrinhos de venda de café, os quais serão vendidos a Boca, interpretado por Wagner Moura. O diálogo entre os dois vale o recorte mais político do filme: um grito contra o racismo estrutural.

Dira Paes dá vida a Psilene, irmã de Carmen, recém chegada da Europa. A atriz é brilhante em traduzir o sentimento de frustração de quem foi ao continente do colonizador em busca de uma vida melhor e se vê explorada e desumanizada.

Ó paí ó foge da estética europeizada

A trama toda se passa às vésperas do carnaval mais famoso do Brasil, numa cidade profundamente musical e marcada pela religiosidade. Isso deixou alguns críticos brancos e aristotélicos embasbacados e incapazes de aproveitar a narrativa fragmentada e plural, como é a própria vida.

Exemplo disso é a crítica de Cléber Eduardo, que pode ser acessada no seguinte endereço: https://web.archive.org/web/20210212001600/http://www.revistacinetica.com.br/opaio.htm

Cléber não soube se desvencilhar do seu eurocentrismo nem de sua branquitude para apreciar o que há de melhor no filme: a humanidade de todos aqueles personagens e foi, portanto, raso e superficial em sua apreciação.

Hoje estreia a sequência. 15 anos separam um filme do outro. Verei em breve e farei um texto aqui no Blog.

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