Então, na sexta-feira, eu fui ver uma peça chamada O Como e o Porquê. O texto é de uma americana, chamada Sarah Treem e a montagem brasileira é de responsabilidade da atriz/produtora Alice Steinbruck. Foi no Shopping Fashion mall.

Antes de falar da peça, uma palavrinha sobre esse estabelecimento de lojas. Como eu me sinto um por fora naquele lugar. É como se todo mundo cheirasse merda. Os olhares são tão absolutamente esnobes. É de dar nojo. Fica no bairro de São Conrado, encrustado entre um condomínio de classe média alta e a maior favela da América Latina, a Rocinha. É um shopping em que as babás são obrigadas a vestir uniforme, só é frequentado por brancos e as lojas são todas caríssimas.  Não consigo me sentir bem lá. O que é uma pena, porque o teatro é ótimo. Bem proporcionado, cadeiras confortáveis, bom tamanho, bons recursos cênicos. Vi pouca coisa lá. Uma peça da Dira Paes da qual gostei muito e um recital de poesia da Maria Bethânia são as obras que me vêm à mente agora. Acho que foi só, antes da sexta-feira passada.

Voltemos ao espetáculo. A peça conta a história de duas cientistas que se encontram para tratar de uma conferência de biologia. Ambas são biólogas evolutivas. O texto é dificílimo, cheio de tecnicalidades, de termos ininteligíveis mas que fazem muito sentido. Acho que porque essa questão é muito secundária para o desenvolvimento da trama. O segredinho é meio de polichinelo, mas eu não vou entregar o ouro aqui. A cenografia é muito adequada e a luz é impecável, mas isso tudo é secundário.

Mas o que eu quero mesmo é falar do trabalho da Susana Faini. Segundo a Wikipedia, ela nasceu em março do mesmo ano que minha mãe, ou seja, acabou de completar 83 anos. Ela é um fenômeno no palco. Estava visivelmente (ou audivelmente) resfriada, mas dava conta do recado como ninguém. Atuou com uma energia tão vibrante e tão cheia de vida que era impossível não contagiar a plateia. Transformou uma personagem que pode ser muito monótona, porque a peça é muito calcada no texto, em uma mulher profunda, com diversas nuances de comportamento, um humor ácido e  uma lucidez impressionantes.

Andava em cena como se realmente estivesse em casa. É daquelas criaturas de teatro cujo trabalho parece fácil. Claro que sabemos que é uma batalha inglória o trabalho teatral. Ensaios intermináveis, horas de decoreba de texto, atividades extenuantes, mas quando o bom ator ou a boa atriz sobe no palco, tudo o que ele ou ela quer é contar aquela história, mostrar o personagem e contagiar a plateia. Foi muito esclarecedor assistir à peça.

Parabéns ao diretor. Ele merece todas as glórias!

 

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